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Querido Heinz

Chapter 7 · Pride · Alexandre Ribeiro

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Chapter 7 · Pride

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No sétimo dia, acordei antes da enfermeira bater na porta. Isso me assustou.

Não porque fosse cedo. Mas porque, pela primeira vez desde a porta verde, o mundo parecia ter acordado junto comigo, não contra mim.

A janela ainda era a mesma. A luz de Berlim ainda entrava pálida, sem calor, como se iluminasse por obrigação. O quarto ainda cheirava a desinfetante, tecido lavado demais e noite mal dormida.

Mas alguma coisa tinha mudado. Não era cura. Cura é palavra grande demais para sete dias. Era só um espaço. Pequeno. Entre o pensamento e o grito. Entre o medo e a frase. Entre a visão e a necessidade imediata de obedecer à visão.

Sentei na cama.

Meu corpo ainda estava pesado. Boca seca. Mãos lentas. A cabeça com aquela névoa que o remédio deixava, uma espécie de cobertor químico entre mim e o incêndio.

Eu odiava aquilo. E talvez precisasse. As duas coisas podiam ser verdade ao mesmo tempo.

Essa era uma das descobertas mais humilhantes do hospital: o mundo não se dividia obedientemente entre violência e cuidado, fé e sintoma, racismo e crise, espírito e delírio, liberdade e remédio. Às vezes tudo vinha misturado.

E eu precisava parar de usar a mistura como desculpa para não escolher nada.