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Querido Heinz

Chapter 3 · Greed · Alexandre Ribeiro

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Chapter 3 · Greed

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Depois de Nadja, o hospital começou a me olhar diferente. Ou eu comecei a achar isso. Essa diferença importa.

Na psicose, o mundo não precisa mudar muito para virar mensagem. Um enfermeiro cochichando perto da porta já parece reunião secreta. Uma médica que demora dois segundos a mais olhando para você já parece diagnóstico. Uma paciente que sorri no corredor já parece reconhecimento.

Tudo ganha legenda. Tudo quer dizer alguma coisa. E, para piorar, às vezes quer mesmo. Naquela manhã, a psicóloga me chamou depois da roda. — Miguel, podemos conversar um minuto?

Quando alguém dentro de um hospital psiquiátrico pergunta se pode conversar um minuto, raramente é um minuto e quase nunca é conversa. Entrei na sala pequena. Duas cadeiras. Uma mesa. Caixa de lenço. Uma planta de verdade.

A psicóloga fechou a porta com cuidado. Esse cuidado me irritava. No hospital, até a delicadeza pode parecer técnica. — Como você está se sentindo hoje? A pergunta voltou.

Eu queria responder: estrangeiro, sedado, observado, sem celular, sem Luz, sem maconha, sem casa dentro do peito, falando com um alemão morto que talvez seja espírito ou talvez seja só meu cérebro tentando organizar a culpa da Europa numa cadeira vazia.