PLANO PERFEITO
16 DE FEVEREIRO DE 2009. Há um tempo fui na casa do Douglinhas. Lá, o primo dele estava com um livro do Malcolm X e nos leu uma passagem. "Não condene se você ver uma pessoa tomando um copo d'água sujo, apenas mostre-a a água que você tem. Quando ela inspecionar, você não vai precisar dizer que a sua é melhor."
Hoje, aqui na escola, estou lembrando dessa fita. Se pá o meu desespero é tanto que eu nem tenho um copo d'água. Eu acho que eu estou memo é bebendo bosta. Se liga nessa fita em que eu entrei.
Desde o dia do bilhete, se passaram dois anos. Mas assim que eu trombei a Bárbara na quadra, me lembrei da vergonha que passei. O meu coração aberto, o meu bolso vazio e meu tênis rasgado. No momento que meus olhos viram a beleza dela de novo, enxerguei uma Bárbara mais evoluída, mais mulher. Mas quando eu olho pra mim não vejo diferença. De um lado, uma rainha. Do outro, um moleque feio, sem pai e sem dinheiro.
Eu sinto vergonha de manter essa paixão pulsando. Por que eu ainda acredito que tenho alguma chance com ela? A resposta está na loucura que eu acabei de entrar.
