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Kapitel IV · Alexandre Ribeiro

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Kapitel IV

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O DIA EM QUE MINHA BARRIGA ESCREVEU UM POEMA

20 DE SETEMBRO DE 2006. 3º andar. Casa do Rodrigo, família Campos. Não sei de onde veio. Não sei para onde foi. Somente existiu. E para minha desgraça, existiu perpetuando um negócio chamado discriminação.

Lembra da treta que deu quando um moleque perguntou se meu pai morreu? Que a Bárbara chegou e pá? Então, no final das contas esse moleque era sangue bom até. Com o passar do tempo ele virou meu amigo. O Douglinhas não gosta nenhum pouco dele, mas eu comecei a me aproximar do Rodrigo e ele me convidou para colar na casa dele. A intuição do Douglinhas nunca falha.

Assim que eu entrei na casa do moleque já comecei a confabular os preconceitos. Eu estudo em uma escola que fica na cidade vizinha da minha, São Bernardo do Campo. Por isso, na minha escola tem umas pessoas que são mais ricas que eu. Só precisei dar um passo dentro da casa do Rodrigo que eu me lembrei dessa fita.

Uma família classe média padrão brasileira, que eu tive a infelicidade de conhecer quando estava na quinta série do ensino fundamental. Acredito que vão se manter confortáveis durante muitos anos naquele canto. Mas deixando bem claro: que nenhum pobre esteja por aqueles cantos. E o pior, é que eu estava por ali.