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Kapitel II · Alexandre Ribeiro

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Kapitel II

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FOI NUM BAILE BLACK

Existe um ditado africano que diz "se quer saber o final, preste atenção ao começo."

Eu, que descrevo essa história, sou Euzébia da Silva. Conhecida pelos mais íntimos como "Dona Zica", sou faxineira formada pela vida e pelo pulso firme. Sou dona de mim e do meu próprio mundo. Nunca vou me calar. O apelido de "Dona Zica" não é à toa. Sempre quando eu passo os mais fraquinhos já anunciam: "Vixe, Maria! Esse daí é braba, essa daí é zica de se lidar." Do samba rock e do funk é que pulsam minhas veias, é dessa raiz que eu vivo. Sou filha de mãe solteira e foi com as ruas de concreto que aprendi a sobreviver. Durante toda a minha infância fui da malandragem. Capitã da Areia das boas. Me considero uma pessoa preta-nem-tão-preta, e vivi a vida toda com os cabelos crespos longos e muito bem cuidados. Dos pequenos furtos na rua aos aprendizados com os ciganos, encontrei no baile black a minha paixão.

A história de João, não seria nada sem a nossa. A nossa história, talvez tivesse acabado se não chegassem os nossos filhos. Eu sou, porque nós somos. Hoje, escrevo este livro consciente das tragédias do passado. Educamos nossas crianças sem a propriedade de nossas vidas. Por isso faço questão de recontar a história. Isso não se repetirá.