Reservado

Kapitel I · Alexandre Ribeiro

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Kapitel I

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ELA NÃO APARENTA SER QUEM É

A sala estava toda branca, mesmo no granulado do concreto queimado. Em pequenos grupos de acalanto os abraços iam reunindo as pessoas. João não conhecia nenhuma delas.

Reuniões daquele tipo sempre seguiam um protocolo familiar. Só eram acionadas em três ocasiões: primeiro, nas lajes para se encher. Segundo, nas ceias para se comer. E, em terceiro, nas crianças para se batizar. Mas essa, infelizmente, não era das ocasiões que entravam na lista. As feições presentes na sala não eram compatíveis, e muito menos o formato daqueles abraços. Naquela sala cabia o erro, cabia o pecado, cabia a mazela e o entendimento. Cabia tudo. Só não existia espaço para a falta do choro.

Enquanto os olhares se cruzavam, as expressões faciais eram caminhos gigantescos que levam para lugar algum. João sentia que não conhecia ninguém, quando sentia que era um pouco de todos. Como pode um vazio ser tão forte? Como pode o nada preencher alguma coisa? Do que se faz um coração de miúdo?

Respostas não tinham. O que todos tinham em comum era somente o sobrenome.

Daquelas histórias, todas levavam um pouco de Lilian, de Felipe, de Amarildo e de Marielle. Os acalantos sintetizavam as dores em comum na lembrança de um só homem. Seu Angenor.