Da Quebrada pro Mundo

Kapitel 5 · Alexandre Ribeiro

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Kapitel 5

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— EU NÃO SOU PARDO! SOU FILHO DE MAHIN E DESCENDO DE REIS E RAINHAS! NOSSA HISTÓRIA NÃO PODE SER APAGADA! – Depois dos gritos de Luiz, os vizinhos mais conectados com as ruas, também conhecidos como 'zé povinho' acordaram rapidamente para ver o que estava acontecendo na viela. De prontidão a vizinha que acendeu o incenso teve que fechar a sua janela rapidamente, e os moleques que estavam em absoluto silêncio apreciando a realeza ancestral do filme 'Ó Paí Ó' tiveram que sair correndo para não serem moídos na porrada pelos trabalhadores cansados.

Ofegantes, ao entrarem no barraco de Luiz, Tom olhou para Zinho com muita raiva e disse: — Cê tá chapando, Zinho? Tá querendo acordar a favela inteira ou morrer na paulada? Que deselegância... – Mesmo depois da oreiada, o olhar de Luiz continuava distante, sem prestar a mínima atenção no que Thomas havia dito. A ideia foi disparada com coragem como um tiro de solidariedade em direção à uma injustiça: — Tom, e se a gente fosse para Salvador? Imagina que brisa!

— Vixe, Zinho. Essa que você usou eu quero é duas... Batendo a nave uma hora dessas? — Não tô batendo nave nenhuma, Tom. Eu senti no fundo do meu peito. Salvador! Esse é o lugar.