Tom, também conhecido como Nego, também conhecido como Pato, também conhecido como o único skatista da quebrada do cabelo black com as pontas descoloridas de loiro, reconheceu o parceiro e resolveu mandar um salve. Ele e sua malandragem inabalável foram se aproximando para o fundo do ônibus já que na verdade ele era muito mais do que um simples 'mano'.
Tom, mesmo sendo mais velho que Luiz, foi colega de classe no primeiro ano do ensino médio, só que eles não se tornaram amigos ali. Estudaram em uma escola pública tipicamente brasileira. Arquitetura, regime e ensino; todos inspirados em prisões e sem coragem de se assumirem assim. Os silenciosos ecos da ditadura. A escola que os moleques estudaram era cercada por muros altos com arame farpado em suas pontas para evitar qualquer tipo de fuga. Tinha grades nas portas e nas janelas para evitar qualquer tipo de subversão. Era um local em sua totalidade feito de concreto cinza chapado e quadrado, refletindo a mente e realidade dura muito distante do que o ambiente onde, de fato, eles se tornaram amigos. Na Fundação Casa de Diadema. Para meninos como esses a escola pública era uma amostra-grátis do plano descolorante: apagar o brilho de algumas vidas para manter as coisas do jeito que estavam. — Orra, Luiz, você não muda nunca, né, irmão? Já te falei umas duzentas vezes pra usar meu vulgo, mano.
