O que vale nessa vida são os destinos ou os caminhos que escolhemos para chegar lá? O coração de Luiz já não bombeava sangue, somente perguntas àquela altura da viagem.
Incongruentemente, na busca pelo amor, mais pedaços da doçura de nosso menino poesia-ponte foram perdidos e achados. O catamarã saindo de Salvador sentido Morro de São Paulo balançava forte a cada onda que quebrava com seu bico e Luiz sentia o doce do vento bater, em pequenos pulinhos, em seu rosto. A doçura era a chegada em terras novas, da possibilidade de encontrar sua grande paixão, de uma possível vida transformada. Entretanto, o vento tomou seu próprio tempo e trouxe uma áspera lição da natureza para o nosso favelado: toda ação tem uma reação.
Com uma hora e meia de viagem, já em alto mar, o vento se aliou com o poderoso céu na transformação de clareza em tempo fechado. Gradualmente, a doçura das cores de laranja-lima do horizonte em sua frente foram ficando amargas feito chocolate escuro. Amargas como Luiz sentisse em suas papilas gustativas o gosto intoxicante da traição contra seu melhor amigo. Em alto mar, na metade do caminho entre Morro e Salvador, uma tempestade forte se formou. A ironia-agridoce transformou o açúcar em veneno, pois o que estava se passando na frente dos olhos do menino era o segredo que ninguém, além de Thomas, conhecia.
