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Carreira

Escritor de favela. Leitor do mundo.

Da Favela da Torre, em Diadema, para colunas, feiras literárias e palcos na Europa. Uma carreira feita de livro vendido de mão em mão, de texto escrito longe de casa e de muita ponte entre línguas.

Alexandre Ribeiro com o livro Reservado
Fotografia: Lucas Sampaio

Por que eu escrevo

A quebrada não é tema. É ponto de vista.

Eu não escrevo sobre a favela como quem olha de fora. Escrevo a partir dela: do corpo, da fome, do ônibus lotado, da amizade, da escola, da poesia que a gente faz no improviso. Foi assim no Inflorescência, no Reservado e no Da Quebrada pro Mundo.

Quando cheguei na Alemanha, em 2019, a minha quebrada veio junto. Comecei a escrever todo mês para o Itaú Cultural comparando castelos e favelas, Brennpunkte e periferias, a polícia daqui e a de lá. Depois vieram o UOL Ecoa, a Bossa FM e outros palcos.

Escritor de favela internacional não é contradição. É só o nome do caminho que eu fiz — e que eu quero que mais gente da quebrada faça.

Em números

  • 4

    livros: poesia, dois romances e um bilíngue em português e alemão

  • 2.000

    exemplares vendidos de mão em mão em 2019 para pagar a ida à Alemanha

  • 3

    veículos com coluna: Itaú Cultural, UOL Ecoa e Bossa FM

  • 3

    línguas em que escrevo, leio e ensino: português, inglês e alemão

Linha do tempo

Os capítulos que transformaram um moleque do Canhema em escritor lido em dois continentes.

  1. 1998

    Favela da Torre, Diadema

    Nasço e cresço no Canhema. Filho de empregada doméstica e de segurança, leio com meu pai e encontro na Casa do Hip Hop, no rap e nos saraus o primeiro lugar da minha palavra.

  2. 2016

    Jornalismo comunitário na Énois

    Uma bolsa na Énois firma a minha escrita: aprendo a transformar o que vivi em narrativa e a contar a quebrada com método.

  3. 2017

    Finalista do Prêmio Jabuti

    Como coautor do Prato Firmeza, guia gastronômico das quebradas de São Paulo feito por jovens jornalistas da periferia com a Énois, chego à final do Jabuti, o prêmio mais tradicional da literatura brasileira.

  4. Até 2018

    Bastidor da cultura no Laboratório Fantasma

    Trabalho como assistente de produção na empresa do Emicida. Vejo de perto como a arte da periferia vira obra, público e mercado.

  5. 2019

    Inflorescência e Reservado

    Publico o livro de poemas Inflorescência e o romance Reservado, vencedor do ProAC Prosas. O lançamento de Reservado é no Itaú Cultural, em São Paulo.

  6. 2019

    2.000 livros de mão em mão

    Vendo dois mil exemplares, um a um, para bancar a viagem. Em agosto chego à Alemanha com uma bolsa de trabalho social e começo a coluna mensal Da Quebrada pro Mundo no Itaú Cultural.

  7. 2020

    Reservado nas mãos do presidente de Portugal

    Na Feira do Livro do Porto, vendo e autografo Reservado para Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal.

  8. 2021

    Duocon, para o mundo

    A Duolingo me convida para contar minha história no Duocon, o evento global da empresa, no mesmo palco que o Trevor Noah.

  9. 2021

    Reservado ganha nova edição

    Reservado volta às livrarias em nova edição pela Arolê Cultural.

  10. 2022

    Da Quebrada pro Mundo, o romance

    Lanço meu segundo romance, uma ficção afrofuturista escrita na Alemanha, com prefácio do Emicida e premiada pelo ProAC.

  11. Berlim

    Bard College Berlin

    Com bolsa, concluo a graduação no Bard College Berlin, poucos anos depois do hotel onde aprendi minhas primeiras frases em inglês.

  12. 2024

    Coluna bilíngue e CUFA Deutschland

    Levo a coluna Da Quebrada pro Mundo para a Bossa FM, em português e inglês. No mesmo período presido a CUFA Deutschland, braço da Central Única das Favelas na Alemanha.

  13. 2025

    Prêmio da ONU com a CUFA

    Em Roma, sou um dos representantes da CUFA na entrega do UN SDG Action Award, na categoria Resiliência, conquistado pela CUFA Global.

  14. 2026

    Querido Heinz

    Lanço meu primeiro livro bilíngue, em português e alemão, contemplado pela PNAB (Política Nacional Aldir Blanc): uma conversa direta entre a quebrada e a Alemanha.

Obra

Quatro livros, uma mesma pergunta: quem tem o direito de contar a própria história?

  • 2019

    Inflorescência

    Poesia

    Meu primeiro livro. Poemas da quebrada, vendidos de mão em mão para pagar a ida à Alemanha.

  • 2019

    Reservado

    Romance · Miudeza (2019) e Arolê Cultural (2021) · ProAC Prosas

    A epopeia-cotidiana da vida na periferia, contada pelas vidas que se passam nas janelas. Um menino da favela que se protege da violência com a imaginação. Lançado no Itaú Cultural e levado até o presidente de Portugal.

    Conhecer o livro
  • 2022

    Da Quebrada pro Mundo

    Romance afrofuturista · ProAC · prefácio de Emicida

    Quando as favelas brasileiras se tornarão internacionais? Um Brasil revolucionado pela vacina da cor, contra o vírus do racismo, visto pela história de amor entre dois jovens negros.

    Conhecer o livro
  • 2026

    Querido Heinz

    Bilíngue · português e alemão · PNAB

    Migração, memória, liberdade, saúde mental, racismo, guerra e responsabilidade. Meu primeiro livro nas duas línguas em que eu vivo hoje.

    Conhecer o livro

Design editorial

O livro como objeto

Meus livros não são só texto. Cada um ganhou um projeto gráfico pensado a partir da quebrada, assinado pelo designer Lucas Rodrigues e equipe.

  • Reservado · Miudeza · 2019

    As vidas que se passam nas janelas

    A identidade visual nasce do olhar para as miudezas que nos contornam: a rispidez do asfalto escuro, o granulado de cores dos tijolos e, sobretudo, as vidas que habitam entre vidros e janelas.

    Lucas Rodrigues (design e direção de arte) · Gabriel Jardim (ilustração) · Kahmi Oliveira (fotografia)

    Ver o projeto no Behance
  • Da Quebrada pro Mundo · Editorial · 2022

    Um passaporte para o mundo

    A capa parte do passaporte brasileiro azul, personalizado com letterings, como se fosse o caderno de viagem do protagonista. Cada capítulo lembra um bilhete de trem antigo, e a história nasce de uma frase de Millôr Fernandes: “O Brasil tem muito passado à frente de seu futuro”.

    Lucas Rodrigues (identidade visual) · Leandro Assis (capa e letterings) · Pablito (ilustrações) · Renan Santa Terra (3D)

    Ver o projeto no Behance

Palcos e travessias

A literatura que nasceu no Canhema já circulou por São Paulo, Frankfurt, Porto, Berlim, Roma e pelo público global da Duolingo.

  • São Paulo · 2019Lançamento de Reservado no Itaú Cultural

    Meu romance de estreia lançado na casa que publicava minha coluna.

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  • Frankfurt · 2019Feira do Livro de Frankfurt

    Entre os autores brasileiros da programação da maior feira de livros do mundo.

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  • Porto · 2020Feira do Livro do Porto

    Reservado vendido e autografado para o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

  • Online · global · 2021Duocon, da Duolingo

    Minha história de aprendizado de idiomas contada para o mundo, no mesmo evento que o Trevor Noah.

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  • Roma · 2025UN SDG Action Awards

    Um dos representantes da CUFA na entrega do prêmio da ONU na categoria Resiliência, conquistado pela CUFA Global.

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  • BerlimA Terceira Margem do Reno

    Convidado do podcast da revista Quatro Cinco Um sobre brasileiros na Alemanha.

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  • DiademaDJA Talk

    De volta à cidade onde tudo começou, para conversar sobre literatura e travessia.

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O que escreveram sobre essa caminhada

Reportagens, entrevistas e perfis. Os títulos aparecem como foram publicados.

Escritor primeiro. Educador por consequência.

Tudo o que está nesta página entra nas aulas da Da Quebrada pro Mundo: os livros viram leitura, as colunas viram conversa e a travessia vira método.