Por mais que a gente queira, a vida não se paralisa para sentirmos o efeito de um poema. Após o encontro ancestral o que Lazzo e Luiz fizeram foi acolher Thomas Sankara da melhor maneira possível, naturalizando toda a situação. Pouco depois da cena Lazzo ligou o ônibus e seguiu viagem. Foram puxando papo, já que eram os únicos naquela viagem. — E vocês são de onde, pivete? — São Paulo – respondeu Thomas, coçando os olhos, ainda tentando recompor os próprios pensamentos. — São Paulo, não, Tom. Não viaja! Noiz é de Diadema. Favela da Torre, conhece? – Luiz retrucou o comentário do amigo mudando o tom de voz, tentando dizer a frase com a voz grave, o que deixou a situação ainda mais ridícula. — Ixiiii. Tá bravão porque, oh, cabeça de nós todos? Kkkkkk – aliviando a tripulação o senso de humor de Thomas ainda estava intacto. — Diadema? Vishh. Dá até um arrepio! HAHAHA – ao terminar a frase Lazzo soltou também uma risada. Uma gargalhada forte, dessas que fazem a cabeça ser jogada para trás e o peito estufar de ar. Gatilho perfeito para acabar com a tensão entre ele e a molecada. — Senta aí você, pivete. – Alertando Zinho para parar de presepada foi que Lazzo continuou. — Então, se ligue: é que aqui em Salvador a entrada no ônibus é por trás, viu? Você só sai depois que pagar a passagem e girar a catraca aqui pela frente. Ainda coçando os olhos e tentando se acostumar com uma pele tão brilhante Tom demonstrou uma mudança bela advinda do Orum: reconhecer a beleza que mora no outro. — Que inteligente! Centraliza a entrada e evita os 'marreta'! E deve ser bom para evitar assalto também.
Kapitel 11
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